Música para meu almoço

Nunca ouvi tanta música popular brasileira como nos últimos dias. Os japoneses adoram nossa música. Olha o que eu ouvi hoje, dentre muitas outras?

Pesquisa revela desinteresse do japonês pelo sexo

O Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-estar Social divulgou agora em janeiro uma pesquisa preocupante com relação às questõe sexuais no Japão. De acordo com a pesquisa, 40% dos casais japoneses vivem sem se relacionar sexualmente. Um número alarmante que tem trazido problemas sociais graves e que podem desencadear outros obstáculos.

Ao ler a pesquisa no site International Press, fiquei pensando em alguns casais que tenho contato por aqui e que demonstram distanciamento e uma relação bem distante do que entendemos por casamento. Alguns maridos vivem em outras cidades ou outros países e possuem uma carga exaustiva de trabalho, esgotando-os por completo.

A pesquisa completa você encontra aqui.

Blog no Portal O Dia

A partir de hoje é possível encontrar minhas estórias também no Portal O Dia, o portal do jornal O Dia, de Teresina, Piauí. O nome do blog é Outro Lado. Lá eu escreverei com mais frequência e sobre assuntos mais relacionados à sociedade. Aqui eu vou continuar atualizando, mas não sei qual a frequência, principalmente após o início de minhas aulas, em abril.

O que importa é que agora é possível discutir e trocar idéias sobre o meu dia a dia, por aqui e por lá.

E continua o convite, se você tem algo bacana que queira compartilhar, podemos usar o JapaNews para isso. Conto com você!

Primeira neve, de verdade, em Nagoya

Quem mora em países tropicais e nunca viu neve, fica todo besta quando vê o primeiro floquinho cair à sua frente. Pelo menos essa é a senação que tenho por experiência própria e de amigos próximos.

A primeira neve a gente nunca esquece! Nossa experiência foi em dezembro de 2009, aqui mesmo em Nagoya. Nevou boa parte da manhã e deixou tudo branquinho. Mas à tarde já tinha sumido tudo. Meus filhos fizeram bolinhas com a pouca neve que acumulou e colocaram no congelador da geladeira, de tão felizes que ficaram. Nagoya é bem fria no inverno, mas neve é uma raridade.

No Natal de 2009 nós viajamos para o norte do Japão e aí sim vimos neve de verdade. Não só neve, mas nevasca, lagos congelados, fomos a uma estação de esqui, enfim, passamos 10 dias no meio da neve, literalmente.

Neste último Natal não deu para viajarmos. As férias de inverno não tiveram a mesma graça para as crianças, já que a neve não deu as caras. A não ser no ano novo e outros dois dias, mas bem pouquinho. O frio aumentou e nada de neve.

Final de semana passado, finalmente, vimos neve neste inverno. Não precisou sair daqui de Nagoya, ela veio ao nosso encontro. Nevou por mais de 24 horas, sem parar. A cidade ficou toda branca. E bestas por neve que somos, saímos pelas ruas, fizemos bonecos, brincamos de bolinhas, fizemos tudo o que tínhamos direito.Meus amigos, tanto brasileiros quanto estrangeiros de países tropicais, potaram nas redes sociais, como facebook, e no twitter fotos e comentários comemorando a neve linda que caía por aqui.

De acordo com os professores dos meus filhos, a útima vez que nevou nesta quantidade por aqui foi há 9 anos. E foi realmente muito bom! Os últimos bloquinhos de neve ainda se desfaziam ontem, quinta-feira, 4 dias depois.

Deixo algumas fotos da nossa aventura no meio da neve em Nagoya.  

Aborto e educacao sexual

Ha algumas semanas tivemos uma discussao na sala de aula sobre educacao sexual, aborto, saude da mulher, entre outros aspectos, com os pontos de vista e as leis de diversos paises. Aqui no Japao o aborto eh legalizado e centenas de jovens o fazem antes mesmo dos 20 anos.

Por outro lado, a educacao sexual eh inexistente.Os pais nao conversam com os filhos sobre isso, nao ha na escola e as mulheres nao frequentam o ginecologista regularmente para os exames de prevencao. Um pais de primeiro mundo em que o sexo ainda eh um tabu, e um tabu dificil de ser quebrado.

Minha filha tem 11 anos e esta no quinto ano do ensino fundamental. Nessa idade eh comum algumas meninas ja apresentarem a menarca. O que me parece normal eh que as maes conversem com elas sobre isso. Como lidar, o que eh, enfim, todos os detalhes do que representa essa passagem da infancia para a adolescencia, suas transformacoes fisicas e psiciologicas. Eu sempre falo com ela sobre isso. Um belo dia fui a uma reuniao na escola. As maes, preocupadas com essa “fase delicada” para as suas meninas, pediram que a professora conversasse com elas sobre isso. E me perguntaram o que eu achava e se eu falava sobre o assunto com minha filha. Prontamente eu disse que sim. Elas ficaram um tanto espantandas.

Quando minha filha chegou, comentei sobre isso com ela, que a professora iria conversar sobre o assunto. Tres dias depois ela me relata que tiveram uma aula sobre isso e achei muito bom. So que apenas as meninas ficaram na sala, porque era assunto de menina. Gente! Isso faz parte de educacao sexual. Quanto mais se cria temores ou barreiras em cima do sexo, mais se criam os problemas.

Desde que cheguei aqui pergunto as minhas amigas japonesas contatos de medicos ginecologistas para que possa realizar minha prevencao anual. Toda vez elas me questionam se eu estou doente. Digo que nao. Entao elas falam que so consultam essa especialidade medica se apresentarem algum tipo de queixa. Ai eu me pergunto: e a saude da mulher, onde fica?

Confesso que nao tenho dados sobre DST, Aids, numero de abortos ou algo relacionado a isso aqui no Japao, irei pesquisar sobre o assunto. Mas o que me impressiona eh o aborto ser legalizado e nao se ter educacao sexual. Sempre escutei que o certo eh prevenir e nao remediar. O aborto eh a solucao para a nao educacao?

Na ultima campanha eleitoral no Brasil se falou muito em aborto de forma pejorativa, preconceituosa e, o que eh pior, superficial, eleitoreira. Precisa-se discutir o aborto, isso eh fato! Mas eh preciso discutir a educacao sexual das nossas criancas e dos nossos jovens. Quem tem pais mais abertos, recebe uma boa orientacao, mas quando se trata o sexo como tabu, se ve meninas morrendo em clinicas clandestinas de aborto e jovens com DST, Aids.  (O numero de jovens entre 17 e 20 anos com Aids aumentou no Brasil. )

Eh preciso discutir o aborto abertamente e de forma seria. Mas quando eu vejo o Japao, um pais desenvolvido, em que o aborto eh legalizado, tratar o sexo como tabu, uma contradicao gravissima, me pergunto: legalizar o aborto eh a solucao? Vamos evitar que mulheres das mais variadas idades morram? Ou criaremos um outro problema? Quase meio de milhao de abortos sao praticados anualmente no Japao. Veja alguns dados aqui.

Sei que ha um problema latente com relacao ao aborto , mas sei tambem, pela experiencia que tenho tido aqui no Japao, que a legalizacao do mesmo nao sera solucao, mas pode trazer mais serios problemas. Imagine quando voce escuta que a namorada de um amigo ja fez 4 abortos e ela tem apenas 20 anos? Fiquei realmente chocada! Insisto que a educacao sexual eh o grande passo para revertemos esse quadro de abortos e mortes no Brasil. Nao adianta discutir legalizacao de aborto e esquecer educacao sexual.

Veja esse texto interessante sobre a Aids no Japao.

O incentivo a leitura nas escolas

Eh impressionante como japones le muito. Eles leem no metro, no onibus, na fila do banco, no restaurante, nos cafes, em todo lugar. Por onde se anda, se eles estao a espera de atendimento ou se estao fazendo algo sozinhos, sempre o que se ve a mao eh um livro. Nao importa a idade. As vezes sao os mangas (gibis japoneses), ou livros de ficcao e romance, ou livros de estudo mesmo, de ingles ou outra materia qualquer. E eles leem quando estao em pe tambem. O metro para, e eles permancem ali, lendo sem se distrair.

Esse habito comeca cedo, por incentivo dos pais e das escolas. Ainda no jardim de infancia, toda semana, a crianca escolhe um livro na biblioteca e leva-o para casa. Na semana seguinte ela o entrega e recebe outro. Nesta fase eles falam sobre os livros que leram e desenvolvem determinadas atividades de pintura relacionadas aos livros escolhidos e trabalhados em sala de aula.

No ensino fundamental o processo de visita a biblioteca continua. Semanalmente eles vao la e ficam um horario inteiro (eh como uma disciplina qualquer, chamada dia da biblioteca) percorrendo as estantes de  livros, folheando-os e podem levar um deles para casa durante uma semana. Fora isso, tem as estantes nas salas de aula para que os alunos leiam durante os intervalos dos dias chuvosos, de frio intenso ou quando esta nevando e as atividades externas sao canceladas. Mas eles tem a liberdade de usa-los quando quiserem, alem de poderem leva-los a qualquer dia.

O sistema eh um pouco diferente das escolas do Brasil em que os alunos usam livros indicados pela propria escola, sao os chamados paradidaticos. As criancas devem ler aqueles livros que serao trabalhados durante um determinado periodo pelos professores. Aqui, alem das obras usadas em salas de aula (toda semana eh uma diferente), as criancas ainda leem os livros da biblioteca e contam com as fichas de leitura diaria (eles tem livros de lingua japonesa com textos que devem ser lidos todos os dias e os pais tem que preencher uma avaliacao de leitura).

Com tanto incentivo a leitura, nao me admira o fato de uma pesquisa ter apontado que um japones que cursa universidade leia, em media, 2 livros por mes, o que leva a mais de 30 por ano, isso quando eles nao contam com os livros de estudos, mas apenas literatura. Se considerarem os livros “didaticos” esse numero aumenta. No Japao sao vendidos cerca de 1,4 bilhao de livros por ano, representando 10% do mercado mundial, num total de 11 livros per capita/ano. Alem disso, o numero de bibliotecas e o mercado de sebos por aqui eh muito forte. Numa pesquisa sobre as bibliotecas japonesas, realizada no ano de 2007, revelou que 98.2% dos municipios possuiam bibliotecas publicas, sendo que a taxa de instituicoes publicas para cada 100 mil habitantes era de 2.31, bem abaixo da Finlandia, entao de 22.26. Por isso o governo tem investido em campanhas de doacao de livros e tambem de construcao de bibliotecas nas pequenas cidades. No Brasil  apenas 8% dos municipios contam com biblioteca, um numero muito baixo com uma taxa de bibliotecas para cada 100 mil habitantes bem semelhante a media geral do Japao, com a diferenca de que aqui os grandes centros possuem um numero muito alto de instituicoes publicas com acervos em torno de 1 milhao de livros, inclusive em idiomas como portugues, ingles, espanhol, coreano, frances, chines, russo, italiano, dentre outros. A maior procura eh de obras ficcionais e nao-ficcionais, com uma media de emprestimo de 3 livros por pessoa. No Brasil as bibliotecas contam com acervos entre 2 mil e 5 mil volumes, e a maior procura eh por pesquisas de historia e geografia, pesquisas escolares.

A minha fascinacao pela leitura, por bibliotecas e incentivo as criancas se deve ao fato de ter vindo de uma cidade em que as bibliotecas publicas eram escassas, na verdade ainda o sao, o Piaui eh o estado com o menor percentual de municipios com bibliotecas abertas no pais, 34% . Fui incentivada a ler pelos meus pais que sempre tiveram um grande interesse pela leitura, e um pouco na escola. Mas lembro que so precisava ler um livro a cada 2 ou 3 meses, exigencia que eu ignorava. Mas nao lembro de frequentar as bibliotecas publicas da minha cidade. As bibliotecas que me marcaram foram as do meu avo e dos amigos. Nesses lugares eu busquei um conhecimento mais profundo sobre as literaturas brasileira e estrangeira e descobri meus escritores prediletos, tais como: Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Ernest Hemmingway e muitos mais. Na infancia foram meus pais e avo meus incentivadores, na adolescencia meus irmaos e minha amiga Socorro Dantas.

Habito que eu nao tinha em Teresina, frequentar as bibliotecas publicas, virou passeio aqui em Nagoya. A cada 20 dias vou a maior biblioteca estadual pegar 6 livros em portgues para cada um de nos. Para mim eh uma forma de manter-me atualizada e tambem de reler classicos da literatura brasileira. Para os meninos foi uma forma prazerosa que encontramos de manter o portugues sem aquela cobranca de mais uma aula. O dificil eh concorrer com a quantidade de livros que eles recebem semanalmente na escola.

P.S. A proposito, estamos encomendando alguns bons livros este final de ano, se alguem tiver sugestoes, eu agradeco. Eles tem 7, 9 e 11 anos.

O futuro do jornalismo

Ontem a tarde assisti a um simposio na Universidade de Nagoya sobre o futuro do jornalismo e do jornalista. Que papel ele vai desempenhar na sociedade com as novas tecnologias? Como os jornais podem sobreviver neste mundo digital?

Para falar sobre o assunto foram convidados tres professores, o Dr. Tim Marjoribanks, da Universidade de Melbourne (Australia); Dr. Young Jae Choi, da Universidade de Hally (Coreia do Sul), e Dr. Toshiya Nakamura, da Universidade de Nagoya (Japao). Os tres mostraram a situacao dos meios impressos em cada um dos paises e quais as alternativas que os donos de jornais e os jornalistas tem encontrado para nao chegar ao fim com o mundo digital.

Eles falaram em regulacao da Internet, regulacao da midia, colaboracao, venda de conteudo, enfim, e ainda mostraram o que tem sido positivo para cada um. A discussao foi extremamente interessante e me fez pensar no que temos feito no Brasil. Imagine voce que os anuncios nos jornais japoneses cairam 18,6% em 2009, enquanto na Internet aumentaram, 1,2%. E mais: os leitores jovens japoneses 71,4%, na faixa etaria de 20 anos, se informam via Internet e 14,5% deles via jornal impresso. Enquanto os japoneses com 60 anos preferem o impresso, 82.8%, a 14.5% da Internet.

Falou-se muito no papel do jornalista como mediador, responsavel pelo aprofundamento e pela veracidade das informacoes. Que os jornais estao passando por crises, mas se souberem se utilizar das midias digitais, com certeza, terao um longo futuro. O professor coreano falou inclusive naquele ponto de que nenhum meio substitui o outro, que as midias sociais, os blogs, a Internet de um modo geral, so vieram colaborar com um jornalismo de alta qualidade.

O que eu vejo por aqui eh um publico jovem extremamente aberto a digitalizacao e um publico mais velho amante do papel e da tradicao. Mas isso eh o que se ve no mundo todo, os jovens se adaptam mais facil ao novo do que os mais velhos. Imagine no caso das midias digitais em que os jovens de 20 anos ja nasceram com essa tecnologia disponivel. Mas o que vejo tambem eh que os jovens continuam lendo jornais, so que agora nao mais em papel, mas via celular, Ipad, computador, etc. E nos, de geracoes mais antigas, somos mais resistentes a leitura longa em tela, precisamos do papel.

De qualquer maneira, os jornais continuam sendo lidos, seja por meio da tela ou impresso. O publico se tornou mais exigente por ter mais criterios de comparacao. Nao que as novas tecnologias nao tenham trazido crise para os meios de comunicacao, mas nao podemos pensar que os meios estao caminhando para a extincao. Para mim eh o mesmo discurso utilizado na epoca em que a TV chegou e iria acabar com o radio.

Costumava dizer em sala de aula que os meios podem conviver harmonicamente, basta entender essa convergencia, se adaptar e assumir o papel que cada um tem dentro da sociedade. Qual a funcao do radio, do jornal, da revista etc. Ainda mais hoje em que vivemos um mundo global e segmentado. Um bom exemplo de que se pode crescer na era digital eh o jornal Northwest Voice, nos Estados Unidos, que tem um site com materias de colaboradores e, no final de cada semana, eles editam um jornal com os melhores assuntos da semana. Li sobre este jornal no artigo da Professora Ana Regina Rego, que voce encontra clicando aqui. O jornal, com essa aproximacao junto ao publico, conseguiu aumentar os anuncios tanto na edicao impressa quanto na virtual.

Bom, o que vale eh buscar alternativas sem alardear que a Internet esta acabando com os jornais ou com a televisao. O que a Internet provocou, na minha opiniao, foi um espaco mais amplo para as discussoes, maior senso critico e, dai, a populacao tem exigido uma melhor qualidade e assuntos de seu interesse.

Aqui tem um link muito interessante com varios artigos sobre o fim do jornalismo. Vale a pena!

Orgulho dos filhos bilingues

Meus filhos foram infectados pelo virus do poliglotismo. Desde que viemos para ca, depois que aprenderam japones e se tornaram bilingues, que eles falam que querem mais. Agora querem falar ingles, espanhol, frances, italiano, enfim, tudo o que estiver ao alcance deles.

A convivencia com amigos de varias nacionalidades e a consolidacao de outro idioma os fez perceber que o aprendizado de mais uma lingua sera bem mais facil do que o foi com o japones. Agora o desejo mais forte eh pelo italiano, pelo fato da professora de musica da escola fala-lo fluentemente.

Os ouvidos deles estao tao acostumados com a pluralidade de sons que eles conseguem entender diversas palavras e expressoes numa lingua que nunca estudaram antes. Alem disso, a crianca aprende mesmo e pela observacao e imitacao, pois foi assim que eles aprenderam o japones.

O aprendizado de um segundo idioma pela crianca, que nao se cobra, eh tao facil, tao imediato e tao lindo que os incentiva a enveredar por outros lugares. Quando os vejo falando igual a criancas japonesas, com os mesmos trejeitos, mudando a voz, me deixa convicta de que acertei em ter vindo para ca e ter aberto os horizontes deles para mundo. E que venham outros e outros idiomas. Sabe aquela historia de voce ver seus sonhos concretizados em seus filhos? Um meu de ser poliglota ja esta sendo, sem imposicoes, mas por desejo proprio de cada um deles.

Tensao nas Coreias

Depois de um bom tempo sem novidades com relacao aos conflitos Coreia do Sul e Coreia do Norte, hoje o assunto voltou a circular na imprensa mundial. Um bombardeio dos norte-coreanos nesta tarde, por volta das 2 e meia, contra os sul-coreanos deixou 2 militares mortos e 19 pessoas feridas. O governo da Coreia do Norte disse que o ataque foi uma resposta as provocacoes dos sul-coreanos. Estes diziam estar fazendo exercicios militares, ja que a ilha eh local de treinamento e fica nas proximidade do litoral norte-coreano.

O clima esta tenso. Ha fontes que dizem que a Coreia do Sul contraatacou, mas ainda nao se tem o numero confirmado de vitimas. Ha muitos civis em ambos os lados, sendo que o governo sul coreano ja retirou milhares de moradores da area.

O primeiro ministro japones , Naoto Kan, convocou uma reuniao de emergencia em Tokyo e disse que o pais precisa estar preparado para qualquer ocorrencia mais seria, o que deixa nos que moramos aqui extremamente preocupados.

Confesso que desde que vim para o Japao esse clima tenso entre os paises asiaticos me deixa mais apreensiva do que as possibilidades de terremotos, tufoes, tsunamis, por exemplo. No caso de ofensivas mais serias ainda nao se tem uma definicao do posicionamento da China, ha uma tendencia que ela apoie a Coreia do Norte.  Ja o Japao eh aliado certo da Coreia do Sul, assim como os Estados Unidos. A Russia, de acordo com declaracoes do Ministro do Exterior Sergei Lavrov, diz que ha um “perigo colossal” se esses conflitos continuarem entre as duas Coreias.

Resta a nos, que estamos pertinho do conflito, rezarmos para que a tensao diminua e tudo seja resolvido por meio do dialogo.

A mulher japonesa e a obsessao pela magreza

O povo japones eh conhecido por viver muito e ser magro. Dai sempre associamos magreza a longevidade. Em parte estamos corretos, pois quando se esta acima do peso alguns problemas nos acompanham tambem. Fugir dos quilos a mais nao eh apenas questao estetica, mas de saude.

Quando estava procurando dados para um trabalho hoje pela manha sai navegando, navegando, igual a Pedro Alvares Cabral, em busca de um caminho, achei outro mais interessante. Acabei me deparando com dados serissimos sobre a obsessao pela magreza que as japonesas tem. O que comecou como busca de longevidade saudavel, enveredou para a estetica e, dai, para uma doenca: anorexia. E agora, alem dela, a bulimia.

Os dados de anorexia no Japao sao extremamente alarmantes. Uma pesquisa feita pela Universidade de Keio, em Toquio, revelou que as mulheres na faixa de 20 anos sao obcecadas por perder peso. Ha 25 anos elas tinham duas vezes mais chances de ser magras nesta faixa etaria, agora elas tem quatro vezes mais chances. Os pesquisadores afirmam que o motivo eh a pressao social pela magreza. Uma pesquisa feita pelo governo japones revelou que desde 1984 as mulheres com idades entre 20 e 59 anos ficaram mais magras.

A cultura da magreza entre os jovens japoneses revela que quanto mais fino melhor. Dai, elas simplesmente nao comem para manter o baixo peso. O Indice de Massa Corporal, IMC, da mulher japonesa eh, em media, 17. De acordo com a Organizacao Mundial de Saude, OMS, um indice menor que 18,5 ja e considerado baixo peso.

Isso tem ocasionado uma geracao desnutrida. Em consequencia do exagero pela magreza, quando estao gravidas, as japonesas continuam preocupadas em nao engordar, o que tem trazido serios problemas aos bebes. Como elas nao comem o suficiente para alimentar o feto, o mesmo nao se desenvolve como deveria. Um aumento de peso da gestante menor que 8 quilos prejudica o desenvolvimento dos orgaos do bebe, provoca parto prematuro e ainda faz com que a crianca tenha problemas serios em varias etapas da vida, tanto mental quanto fisico.

Mas realmente as japonesas nao comem nem 1/3 do que uma mulher com peso normal come. Lembro de um almoco das maes da escola dos meus filhos em que eu fui convidada. Primeira coisa, as porcoes sao definidas, nao ha chance de repetecos. A outra coisa eh que fomos a um restaurante italiano e comemos tudo com baixa caloria. Quer saber como? Pizza de atum, espaguete de cogumelo com azeite, salada e um pudim de sobremesa que numa colherada ja se foi. Juro a voce que uma meia hora depois eu ja estava com fome. Outra vez, no almoco na casa de outra mae amiga minha, ela e as outras tres que la estavam so comeram salada e um minimo pedaco de uma carne com arroz (branco, sem tempero algum) e depois um cafe de sobremesa. O tamanho das porcoes foi o mesmo preparado para as criancas, sendo que elas repetiram duas ou tres vezes, enquanto nos ficamos apenas na primeira rodada.

Acostumada com aqueles almocos fartos de brasileiro, quando saio para encontrar minhas amigas para alguma refeicao, faco um lanchicho basico antes para nao correr o risco de ficar com fome.

O pior de tudo eh que elas sao hiper magras, super em forma e ainda dizem que nao podem comer muito para nao descontrolar o peso. Imagina o que elas acham de mim!