Eh impressionante como japones le muito. Eles leem no metro, no onibus, na fila do banco, no restaurante, nos cafes, em todo lugar. Por onde se anda, se eles estao a espera de atendimento ou se estao fazendo algo sozinhos, sempre o que se ve a mao eh um livro. Nao importa a idade. As vezes sao os mangas (gibis japoneses), ou livros de ficcao e romance, ou livros de estudo mesmo, de ingles ou outra materia qualquer. E eles leem quando estao em pe tambem. O metro para, e eles permancem ali, lendo sem se distrair.
Esse habito comeca cedo, por incentivo dos pais e das escolas. Ainda no jardim de infancia, toda semana, a crianca escolhe um livro na biblioteca e leva-o para casa. Na semana seguinte ela o entrega e recebe outro. Nesta fase eles falam sobre os livros que leram e desenvolvem determinadas atividades de pintura relacionadas aos livros escolhidos e trabalhados em sala de aula.
No ensino fundamental o processo de visita a biblioteca continua. Semanalmente eles vao la e ficam um horario inteiro (eh como uma disciplina qualquer, chamada dia da biblioteca) percorrendo as estantes de livros, folheando-os e podem levar um deles para casa durante uma semana. Fora isso, tem as estantes nas salas de aula para que os alunos leiam durante os intervalos dos dias chuvosos, de frio intenso ou quando esta nevando e as atividades externas sao canceladas. Mas eles tem a liberdade de usa-los quando quiserem, alem de poderem leva-los a qualquer dia.
O sistema eh um pouco diferente das escolas do Brasil em que os alunos usam livros indicados pela propria escola, sao os chamados paradidaticos. As criancas devem ler aqueles livros que serao trabalhados durante um determinado periodo pelos professores. Aqui, alem das obras usadas em salas de aula (toda semana eh uma diferente), as criancas ainda leem os livros da biblioteca e contam com as fichas de leitura diaria (eles tem livros de lingua japonesa com textos que devem ser lidos todos os dias e os pais tem que preencher uma avaliacao de leitura).
Com tanto incentivo a leitura, nao me admira o fato de uma pesquisa ter apontado que um japones que cursa universidade leia, em media, 2 livros por mes, o que leva a mais de 30 por ano, isso quando eles nao contam com os livros de estudos, mas apenas literatura. Se considerarem os livros “didaticos” esse numero aumenta. No Japao sao vendidos cerca de 1,4 bilhao de livros por ano, representando 10% do mercado mundial, num total de 11 livros per capita/ano. Alem disso, o numero de bibliotecas e o mercado de sebos por aqui eh muito forte. Numa pesquisa sobre as bibliotecas japonesas, realizada no ano de 2007, revelou que 98.2% dos municipios possuiam bibliotecas publicas, sendo que a taxa de instituicoes publicas para cada 100 mil habitantes era de 2.31, bem abaixo da Finlandia, entao de 22.26. Por isso o governo tem investido em campanhas de doacao de livros e tambem de construcao de bibliotecas nas pequenas cidades. No Brasil apenas 8% dos municipios contam com biblioteca, um numero muito baixo com uma taxa de bibliotecas para cada 100 mil habitantes bem semelhante a media geral do Japao, com a diferenca de que aqui os grandes centros possuem um numero muito alto de instituicoes publicas com acervos em torno de 1 milhao de livros, inclusive em idiomas como portugues, ingles, espanhol, coreano, frances, chines, russo, italiano, dentre outros. A maior procura eh de obras ficcionais e nao-ficcionais, com uma media de emprestimo de 3 livros por pessoa. No Brasil as bibliotecas contam com acervos entre 2 mil e 5 mil volumes, e a maior procura eh por pesquisas de historia e geografia, pesquisas escolares.
A minha fascinacao pela leitura, por bibliotecas e incentivo as criancas se deve ao fato de ter vindo de uma cidade em que as bibliotecas publicas eram escassas, na verdade ainda o sao, o Piaui eh o estado com o menor percentual de municipios com bibliotecas abertas no pais, 34% . Fui incentivada a ler pelos meus pais que sempre tiveram um grande interesse pela leitura, e um pouco na escola. Mas lembro que so precisava ler um livro a cada 2 ou 3 meses, exigencia que eu ignorava. Mas nao lembro de frequentar as bibliotecas publicas da minha cidade. As bibliotecas que me marcaram foram as do meu avo e dos amigos. Nesses lugares eu busquei um conhecimento mais profundo sobre as literaturas brasileira e estrangeira e descobri meus escritores prediletos, tais como: Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Ernest Hemmingway e muitos mais. Na infancia foram meus pais e avo meus incentivadores, na adolescencia meus irmaos e minha amiga Socorro Dantas.
Habito que eu nao tinha em Teresina, frequentar as bibliotecas publicas, virou passeio aqui em Nagoya. A cada 20 dias vou a maior biblioteca estadual pegar 6 livros em portgues para cada um de nos. Para mim eh uma forma de manter-me atualizada e tambem de reler classicos da literatura brasileira. Para os meninos foi uma forma prazerosa que encontramos de manter o portugues sem aquela cobranca de mais uma aula. O dificil eh concorrer com a quantidade de livros que eles recebem semanalmente na escola.
P.S. A proposito, estamos encomendando alguns bons livros este final de ano, se alguem tiver sugestoes, eu agradeco. Eles tem 7, 9 e 11 anos.
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Livro que minha filha de 7 anos pegou esta semana
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Imagens internas do livro sobre corpo humano
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Tintin para meu filho de 9 anos
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Esse livro foi um dos escolhidos pela minha filha de 11 anos
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O livro visto por dentro.
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Um dos mangas que ela pegou na biblioteca da escola